Segunda-feira, 24 de Novembro de 2008
Natal...

 

Há um ano atrás escrevi um post sobre o Natal, que acho delicioso. Já o li vezes sem conta e transporta-me realmente para a minha infância e para os cheiros e sabores de Natal que tenho nas minhas lembranças.
 
Como acho esse post muito bonito vou tirar alguns excertos:
 

 

"Uns (muitos) dizem que a tradição é fazer a árvore dia 1 de Dezembro. Já li que deve ser feita no dia de São Nicolau, dia 6 de Dezembro. Entendam-se.
Eu faço daquele momento tão nosso, tão mágico, aconchegante, saboroso e especial, quando o coração da família pede. Principalmente o coração saltitante e ansioso do meu Ruquita. Esse  é que comanda.
A alegria dele…a ansiedade de colocar os chocolates na árvore, o fascínio, a magia de Natal a 100%. Sem dúvida."
 
Continuo com a mesma opinião. Fiz no sábado.

 

"O meu natal era uma miscelânea. O frio e a humidade desagradável no desconforto da casa, era tão bom quando batia na cara enquanto eu escavava com as mãos o musgo. O sabor a vitória quando o pedaço que arrancava era grande e inteiro. Conhecia bem os sítios onde o musgo era mais viçoso e abundante. As mãos gelavam…"
 
"A caminhada, longa por vezes, para encontrar aquele pinheirinho. Sempre na ânsia que mais à frente devia estar um mais bonito. Pior era quando a indecisão começava. Cortava e abandonava, cortava e abandonava. Mas pronto, lá vinha contente e alegre com um que achava ser o mais bonito."
 
"Umas fitas, uns pompons coloridos, uma estrela. O presépio era construído com pedras ornamentais e musgo. Os bonecos eram muitos e antigos. Eram bonitos e contavam a verdadeira história do Natal, do meu Natal. Não sei por onde andam. Gostava de os recuperar, lembro-me de todos."
 
"Não tinha luzinhas para a árvore.  As luzinhas foram, num Natal qualquer, já era eu grandinha, o meu presente. Aqui vem a parte que me arrefecia o coração de criança, tão aquecido pela excitação normal dos preparativos.
Os presentes que a minha mãe inventava. Eram à imagem dela, descabidos…"

 

"À tarde, a feira de Natal era tradição. Era feita num terreno barrento e inclinado. Chovia sempre e claro está, um cenário de lama, frio e cheiro a bifana.
 
A roupa era experimentada, entre uns panos ou então, muito mais confortável, dentro da carrinha do feirante. Lá me decidia por uma roupa “gira”. Mais 45 minutos de regateamento da minha mãe (que vergooonha). O meu pai desaparecia e quando era chegado o acordo, aproximava-se, sacava da carteira triunfante e com cara de chefe de família pagava.
Vínhamos para casa satisfeitos, eu pequenita gostava e ansiava por vestir a roupa nova.
 
À medida que fui crescendo este episódio foi-se tornando um pesadelo. Não me peçam para ir a feiras, por favor…"
  
"A noite da consoada, era normal. Um jantar, na cozinha de forno, como todos os outros. Um pouco mais de abundância, um bolo rei e filhoses. Filhoses de abóbora que eram amassadas, duramente, na tarde antes e fritas na lareira. Uma "trempe" (tipo tripé) e uma "péla" ( frigideira) sobre a fogueira. A minha avó ali estava horas, envolta no fumo e com o pingo sempre a escorrer do nariz. Lembro-me dela assim, mas com tanto amor e saudade.
 
Ainda hoje adoro as filhoses de abóbora (os chamados sonhos de abóbora em Lisboa). Hoje, na minha casa não faltam…"
 
"Lembro-me de o meu pai se sentir feliz e dizer-me sempre…temos saúde e estamos aqui todos. Eu entendia as suas palavras e respirava de alívio."
 
"Os presentes era realmente um assunto que não existia, no meu Natal de infância. Os que existiam eram sem jeito, sem à vontade, sem propósito. O meu sofrimento por não ter presentes era mais fruto do que via na televisão do que qualquer outra coisa. Quando era adolescente, já não me iludia e  conformava-me. Passava o tempo a imaginar o que ia fazer um dia na minha casa…
 
O consumismo desenfreado e a compra de presentes à pressa, com o dinheiro a desaparecer e o desespero a reinar, confesso que não fazia parte desses meus sonhos. É a realidade de Lisboa e agora também minha…"
 
"Na minha casa, hoje, o Natal é bom…tem um sabor bom…é confortável e aconchegante…é construído por mim e pelo Rui…é nosso.
 
È tão aconchegante, tão bonito. Somos só nós e os meus pais que se juntam a nós. Somo 5.
Faço tudo como se fossemos 20 ou 30. Os doces, a mesa bonita, a abundância de comer, presentes, alegria e amor."
 
Este ano já somos 6, com a Rita.
 
"O Ruca vive o Natal que lhe construo, cheio de pormenores deliciosos.
 
Fico parada a olhar para a minha árvore. Grande, linda de morrer…com tantas luzinhas. Sinto-a a brilhar.
 
As luzinhas de Natal, há tantas em Lisboa, mas eu de certeza que as vejo com uns olhos muito especiais… "

 

Sem dúvida...

 

 

publicado por eueosmeus às 15:33
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2 comentários:
De JohnnyMary a 24 de Novembro de 2008 às 16:06
Lembro-me bem desse post, também o acho delicioso :)

Beijocas do João Maria e da Catarina
De Antes assim... a 25 de Novembro de 2008 às 09:14
Tão lindo... vieram-me as lágrimas aos olhos. Eu sei que ando lamechas demais e por tudo e por nada sai água, mas o teu texto comoveu-me mesmo!! Que o vosso Natal seja para sempre como é agora.

Beijinho Grande

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